Jornalista lança Escaladas: O jornalismo esportivo sob o olhar feminino

Nesta terça-feira, 23, a jornalista Amanda Ferronato lançou o seu documentário Escaladas: O jornalismo esportivo sob o olhar feminino. Em um depoimento ao Conexão Grenal ela comentou sobre a experiência de gravar o documentário e também explicou a sua visão sobre o cenário atual.

Amanda Ferronato é gaúcha de Jacutinga e formou-se em Jornalismo no final de 2017 na Unochapecó, em Chapecó/ SC. O documentário foi gravado como trabalho da conclusão do curso.

A experiência de gravar “Escaladas: O jornalismo esportivo sob olhar feminino”

Nestes sete meses de produção sempre tive muito nítido que o meu trabalho de conclusão de curso não seria apenas um trabalho. Desde o início da graduação minha opção foi dar voz às narrativas que dela precisam, cumprindo com o papel social no exercício da profissão de jornalista. Em meio ao processo de escolha do formato e tema para TCC, tive a felicidade de poder conciliar quatro elementos que sempre estiveram presentem durante o curso: futebol, gênero, jornalismo e o audiovisual. Eis então, que surge o Escaladas: o jornalismo esportivo sob o olhar feminino.

Fruto de escolhas desafiadores e ousadas, percorri mais de mais de 4000km entre Chapecó – Carazinho – Porto Alegre e Belo Horizonte, e na conexão entre Florianópolis, Manaus e Itália para realizar todas as gravações. Acompanhei de perto a luta diária das mulheres pela igualdade de direitos, por respeito, dignidade e principalmente por espaços na sociedade. Dessa forma fui buscando respostas às minhas inquietações e respondendo-as na forma de gravações, dando vida a 35min de documentário.

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Sempre tive muito presente que minha opção em contar com onze fontes em lugares distintos exigiria de mim cumprir o cronograma com datas estabelecidas para não comprometer a produção, afinal, o documentário foi pensado a partir do enredo de um time de futebol, e time desfalcado não entra em campo. A distância nunca foi encarada como um obstáculo que pudesse me fazer recuar no que havia planejado. Devo admitir que seria muito mais cômodo ter optado por apenas jornalistas esportivas de Chapecó (SC) e região, mas o jornalismo nunca foi sinônimo de comodidade na minha vida, pelo contrário, sempre despertou em mim o desejo pelo ineditismo. Além disso, não seria possível a ampla discussão deste tema apenas com olhares e vivências de um mesmo cenário.

Foto: Andressa Guinzelli/ Divulgação

Conheci diversas realidades, ouvi inúmeras histórias e partilhei de muitos sonhos com minhas escaladas. A gravação com cada uma delas surgia como forma de libertação para meus sentimentos, meus medos e angústias dessa profissão que tanto escolhi fazer parte. Essa caminhada também demandou coragem, determinação e sacrifício, afinal, é um desafio muito grande desenvolver uma produção a partir daquilo que você anseia para sua vida. Ao mesmo tempo que é algo prazeroso poder relatar essa história, é também encher-se de medo por saber que este espaço, que oprime as mulheres diariamente, é o mesmo espaço que eu desejo ocupar brevemente.

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A experiência foi absolutamente incrível, assim, como a minha vontade em ir em busca de respostas para minhas inquietações. Sempre falei que as coisas se concretizam quando acreditamos nelas e as fazemos com amor, e o Escaladas é a prova disso. Durante as gravações inúmeros impedimentos foram marcados, mas eu nunca desisti, pois tinha certeza de que esse documentário também libertaria outras mulheres.

A experiência de gravar o documentário no último semestre de 2017 deu a Amanda uma visão mais próxima da realidade. Um retrato fiel do que as mulheres passam para cobrir evento esportivos, em especial o futebol. Em outro trecho de seu depoimento ela fala de como vê o mercado do jornalismo esportivo para as mulheres.

Nas conversas com minhas entrevistadas pude perceber que mesmo com avanço nas questões de gênero, a presença da mulher nesta editoria ainda é motivo de julgamentos e provações diárias, e infelizmente esse cenário é encontrado de Norte ao Sul do Brasil, da América à Europa. O simples fato de serem mulheres e estarem neste ambiente, exige uma força ainda maior, porque a todo momento são testadas e motivo de dúvidas pelo seu nosso profissionalismo. Durante o período de gravações me deparei com muitas situações de jornalistas esportivas (inclusive no RS) que sofrerem algum tipo de preconceito apenas por serem mulheres. O sexismo e o machismo ainda estão muito presentes nas redações, nos estádios e na sociedade, e isso é um problema cultural.

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Tivemos avanço na inserção da mulher na editoria esportiva, mesmo diante de todos esses enfrentamentos elas nos mostram que é possível fazer um jornalismo sem distinção de gênero e com muita qualidade. Hoje, temos a felicidade de contarmos com uma narradora no futebol, isso é um avanço enorme, e também motivo de esperanças. Temos muitas mulheres inseridas e se inserindo nessa editoria, mas acredito que a questão em discussão não é apenas a presença dela nesse espaço, mas são questões como de respeito, direitos e também autonomia.

Veja o documentário Escaladas: O jornalismo esportivo sob olhar feminino

Foto em destaque: Maria Joana Giareton/ Divulgação

Ficha Técnica

Direção e roteiro: Amanda Ferronato.
Imagens: Andressa Guinzelli, Maria Weber Giareton, Marina Folle Schielke e Pedro Henrique Razzia Lira.
Montagem: Amanda Ferronato.
Edição e Finalização: Amanda Ferronato, Alberto Lopes e Kelvin Cigognini.
Animação e Design: Vinicius André Silva.
Áudio: Eduardo Ratkiewicz.
Trilha Sonora: “O Espelho Do Passado”.
Composição: Manuella de Morais e Giulia Zaki.
Execução: Mariana Dos Santos Ribeiro (Vocal) Lilian Zaki (Bateria) Giulia Zaki (Guitarra) Paola Bueno (Baixo).
Orientação Acadêmica: Daniela Farina e Flávia Durgante.

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