“Tive o prazer de defender meu clube de coração”, conta Ozéia

O ano de 2010 começou e o primeiro objetivo do Grêmio era a conquista do campeonato regional.  O Internacional vinha de duas taças seguidas e cabia ao Grêmio repetir 2007, quando se sagrou campeão gaúcho. O clube tricolor contratou para isso e conquistou o titulo estadual. Um desses jogadores foi Ozéia. Desconhecido no Brasil, o atleta teve uma grande passagem por Portugal.

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Quis o destino que Ozéia levasse o seu time do coração a tão sonhada conquista. Na entrevista o atleta conta em tom de admiração sobre o sentimento de vestir a camisa do Grêmio. Além do mais relata a sensação de ver o estádio pulsando ao som da geral e fazer parte da conquista sobre o Internacional. O atleta hoje atua pelo Moto Club, mas fala com carinho sobre a sua passagem pelo tricolor. Ozéia contou para o Conexão Grenal sobre a sua passagem pelo Grêmio e sobre a sua carreira no futebol.

Foto: Divulgação/ Grêmio
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Conexão Grenal – Tu é Gaúcho da cidade de Nonoai, mas começou tua carreira no Rio Branco de Americana. Como foi que o Tigre entrou na tua vida?

Ozéia – Na realidade  iniciei minha carreira no antigo Malutron, hoje J.Malucelli, mas onde comecei a ser reconhecido pelo meu trabalho foi no Rio Branco de Americana.

Minha chegada no tigre foi através de um empresário de Santa Catarina, que me viu jogar na segunda divisão do campeonato catarinense e me indicou para o Rio Branco. De lá em diante minha vida como atleta profissional começou a se tornar uma realidade.

Te lembra do teu primeiro jogo pelo clube de Americana?

Meu primeiro jogo, se não me engano, foi pela série C contra o União São João de Araras. Ganhamos de 2×1 e eu fiz um dos gols.

Tu voltaria a disputar a Série B de 2008 só que com o Avaí. Aquele campeonato contaria com o Corinthians, e o Avaí acabou subindo em terceiro lugar. Como tu avalia a passagem pelo clube catarinense?

Foi uma passagem muito boa, pois o objetivo foi alcançado, que era levar o Avaí a série A. Essa passagem foi especial para mim, pois foi um clube onde gostei muito de defender e onde fui muito feliz. A cidade de Florianópolis e as cidades que a cercam são muito boas de se viver. Tanto pela qualidade de vida, quanto por tudo o que pode oferecer aos seu moradores e turistas. Foi do Avaí que sai para minha primeira experiência fora do país. Sou muito grato a esse clube.

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Essa passagem te levou para terras portuguesas. Foste logo depois para o Paços Ferreira. Imagino que a passagem por Portugal tenha sido incrível. Teve dificuldade de adaptação ao futebol português ou foi tranquilo?

Lá foi incrível mesmo. Um país sensacional de se viver. Com lugares fantásticos de conhecer e de uma gastronomia fora de série. Tive quatro anos em Portugal e como um bom gaúcho ,sem frescura ,não tive dificuldades nenhuma. Me adaptei rapidamente tanto ao jeito do Europeu quanto o futebol, que é muito diferente do nosso.

Foste emprestado depois para o Grêmio. Nesse ano o tricolor ganhou o Gauchão. Como foi a final contra o Internacional?

Esse ano de 2010 foi um ano especial para mim , tive o prazer de defender meu clube de coração e ainda ser campeão sobre o nosso maior rival. Essa final ficará eternizada na minha memória. Estádio lotado, geral gritando, um clima que só quem está la dentre sabe definir e eu defino como espetacular.

Ainda mantém contato com algum companheiro daquela época?

Com alguns. Pessoalmente poucas vezes, geralmente via internet. Tive fora um bom tempo, aí natural que se perca contato com a maioria.

Foto: Divulgação/ Arquivo Pessoal

Edilson, Renato e Grohe estavam no Grêmio naquela época. Até onde tu acha que eles podem levar o Grêmio?

Estavam na época sim. Três excelentes profissionais e não tenho dúvidas que levarão o Grêmio a ser campeão .

Ficaste apenas uma temporada no elenco tricolor. O que tu acredita que aconteceu para não ficar mais tempo?

Sim, fiquei apenas uma temporada. Creio que foi essa mudança de treinadores que acontece geralmente nos clubes. Quem me levou foi o Silas e geralmente o treinador trás seus jogadores de confiança. Quando o Silas saiu e chegou o Renato, ele trouxe os jogadores de sua confiança e acabei perdendo espaço e não renovando. Apesar de termos iniciado as tratativas para renovação. É o processo natural dos clubes.

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Logo depois tu jogou na Arábia Saudita e Bahrein. Teve muita dificuldade com idioma e cultura nesses países?

Na Arábia Saudita tive alguns episódios bem loucos. Por exemplo, não me deixarem jogar com um corte de cabelo moicano. Fiz esse corte e na hora do aquecimento o árbitro falou para o diretor que com o cabelo daquela forma não poderia jogar, e se entrasse em campo me expulsaria. Terminou o aquecimento e tive que raspar na zero o cabelo.  No mais foi tranquilo , tinha tradutor 24 horas a disposição. Ele como era saudita já nos dava as barbadas , tipo isso pode e isso não pode , tal restaurante é bom e nesse outro é fria, essas coisas .

Já no Bahrein foi mais tranquilo porque é um país mais liberal. Apesar de terem os mesmos costumes, eu costumo falar que o Bahrein é o playcenter dos sauditas. Chega o final de semana os sauditas invadem o Bahrein, justamente por essa liberdade. Mas em geral não tive problemas porque esses clubes sempre tem pessoas para nos auxiliar e já sabem que para quem vem de outros países têm dificuldades, e eles tentam facilitar ao máximo as coisas.

Se tivesse que escolher um clube para jogar e que ainda não jogou. Qual seria?

Bah… Pergunta boa.  Com certeza gostaria de mais tempo no Grêmio para mostrar meu valor e tentar conquistar mais títulos. Se fosse possível repetiria essa experiência que foi positiva na minha vida.

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