Justin Fashanu: uma história marcada pelo Racismo e Homofobia

O filme Forbidden Games: The Justin Fashanu traz à tona aspectos perturbadores da vida de uma estrela do futebol. Fashanu é lembrado com mais frequência hoje como o primeiro futebolista profissional a se assumir gay. Porém, o documentário não aborda a sua sexualidade quase até a metade da narrativa. Ainda nos anos 1970, ele também o primeiro atleta negro a render uma transferência de £ 1 milhão.

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O foco do enredo, todavia, não está nessa barreiras quebradas pela figura principal e sim no seu passado conturbado. Justin e seu irmão mais novo, John, foram deixados para adoção pela mãe, depois do pai ter abandonado a família. Sendo assim, eles foram criados por um casal branco em Norfolk e ambos alcançaram um breve sucesso como esportistas. O que poderia ser uma história de superação, contudo, ganha traços trágicos. Afinal, Fashanu nunca compreendeu o motivo de Pearl, sua mãe, ter deixado ele e o irmão em um lar adotivo enquanto manteve as duas outras filhas.

Em entrevista, Betty Jackson, que adotou os meninos, relata sua incerteza quanto à cuidar de crianças negras. Ela admite não saber se conseguiria amá-los como aos outros filhos adotivos.

No campo, os irmãos Fashanu chamavam atenção tanto pela cor da pele quanto pelo talento. Em uma época de racismo escancarado, o futebol era para eles um escape da dura realidade. Mas é importante ressaltar que os comentários racistas eram frequentes (e aceitos) dentro e fora dos gramados. Se hoje o campeonato inglês é multicultural, nos anos 1970, o cenário era bem diferente. E foi nesse período que Justin Fashanu liderou o ataque do Norwich City.

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Com grande habilidade, os diretores Jon Carey e Adam Darke contrastam a ambição do atleta com a sua conversão ao cristianismo. Não é de surpreender que a combinação de homossexualidade, religião e glamour não tenha se dado sem conflitos.

A verdade é que, segundo o relato cinematográfico, o motivo maior do rápido declínio de Justin Fashanu foi a ascensão do próprio irmão. Logo John ganhou o seu espaço sob os holofotes e se tornou o Fashanu mais célebre.

Foto: Divulgação

Em queda, Justin assinou contrato com o Leyton Orient em 1990. Nesse período, já se comentava sobre a sua possível orientação sexual e, no final do mesmo ano, ele se assumiu gay em matéria exclusiva para o The Sun.

Na sequência, o dinheiro passou a vir da mídia, pois o atleta contou uma série de casos com figuras políticas e outros homens públicos. Contudo, essa fonte secou assim que Stephen Milligan, parlamentar do Tory (Partido Conservador), morreu enforcado em um jogo autoerótico. Por consequência, Fashanu acabou sendo questionado pela polícia e disse que havia inventado as histórias por razões financeiras.

Foto: Divulgação

No fim da carreira, ele atuou no Canadá, mas o dono do time o afastou quando percebeu seu interesse por rapazes muito jovens. Em Maryland, Fashanu conseguiu uma posição como técnico, o que culminou em sérias acusações de um atleta de 17 anos. Para não ser preso, terminou voltando para o Reino Unido.

Sem relação com o irmão ou com a mãe, que não aceitaram a sua homossexualidade, Justin Fashanu se enforcou em uma garagem em Londres aos 37 anos.

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