Inter “à lá Guto” ainda não encontrou identidade própria

Opinião

Há 156 dias no comando do Inter, Guto Ferreira não conseguiu dar consistência ao grupo, passadas 33 rodadas da Série B. A maioria das vitórias foram obtidas graças à presença do torcedor, atuando como 12º jogador ou com um futebol despretensioso, mas que obteve resultados positivos. Verdade seja dita, a culpa não é inteiramente do treinador. A equipe é mediana. Mesmo com a vinda de Pottker no início do ano, Camilo e o retorno de Leandro Damião, o Internacional carece de peças nos setores defensivo, de armação e no ataque.

Confira a classificação da Série B 2017

Começando pela defesa, os laterais Uendel e Cláudio Winck não estão aptos para jogar a Série A. O mesmo digo dos zagueiros Léo Ortiz e Danilo Silva. Na meia cancha, D’Alessandro é a referência técnica e de criação. E não é para menos, da maneira que está jogando com 36 anos. Porém, devido ao fator de idade, seu futebol não é o mesmo com o que estávamos acostumados a acompanhar anteriormente. Necessita-se com urgência de outro “camisa dez clássico”, motivador da torcida e da equipe, que questione juiz e principalmente, que possua a mesma habilidade, tanto técnica quanto tática, que o argentino possui. Camilo é jogador de qualidade e certamente nota-se empenho de sua parte, mas por enquanto não mostrou futebol que o garanta a titularidade.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

No ataque, a situação é melhor que a dos outros setores, mas também não deixa de ser preocupante. Nico López e Pottker possuem potencial, mas são ponteiros.  O Inter não possui segundo atacante para fazer a ligação entre meias e centroavante . Por enquanto, Sasha está na função, mas não está mostrando bom futebol. Por último, é necessário de mais um homem de área, caso Damião tenha uma lesão ou apresente problemas de rendimento.

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Os números refletem uma equipe que está se encaminhando ao acesso, porém não com um futebol convincente. Das 30 partidas que o clube disputou com Guto Ferreira pela Segunda Divisão, foram 17 vitórias, sete empates e seis derrotas. Destas, marcou em 22 e não sofreu gol em 15. Chegou a ficar sete jogos sem perder, da 4ª até a 10ª rodada, mas dentro deste período também ficou três rodadas sem ganhar, da 7ª até a 9ª. O placar mais elástico que imprimiu foi de 3X0, nas vitórias sobre Goiás, ABC e Figueirense e a ocasião na qual mais marcou foi no 4X2 sobre o Náutico, no Beira-Rio. O Inter realizou 47 gols e sofreu 23. De 90 pontos, foram obtidos 58, totalizando 64,4% de aproveitamento.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

Nestes cinco meses, quem mais balançou as redes foi Pottker, com sete gols. Logo atrás, vem Damião com seis e Nico López com cinco. Outro dado interessante é o número de cartões: 88 amarelos e apenas um vermelho, que foi recebido por Eduardo Sasha, na vitória sobre o Brasil por 1 a 0. Os jogadores que mais receberam cartões são Dourado com nove, Uendel e D’Alessandro com oito, Cláudio Winck e Víctor Cuesta com sete.

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A impressão que se possui do Internacional é a de um clube que enfrenta a Série B de forma desestruturada, que joga principalmente na base da pressão que sua torcida impõe. O futebol apresentado consiste em tentativas simples de ataque e não em jogadas trabalhadas. O alvirrubro ainda possui cinco partidas para finalizar de vez sua passagem pela segunda divisão, tendo em mente que os adversários estão próximos na tabela e que qualquer deslize pode prejudicar o retorno a Série A. Após, é preciso no mínimo, deixar uma espinha dorsal pré-definida para 2018, modelando conforme os reforços que chegarem e as partidas que ocorrerão para criar entrosamento. Da maneira que se encontra hoje, o clube corre sério risco de ser rebaixado novamente.

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