Árbitro de vídeo é uma ótima ideia, mas precisa melhorar

Opinião

Primeiramente utilizado na Europa e mostrando eficiência em lances decisivos, o uso do árbitro de vídeo é bastante discutido no Brasil. Este assunto ganhou mais notoriedade após o fatídico gol de mão do centroavante Jô, na vitória do Corinthians por 1 a 0 em cima do Vasco da Gama. Mesmo que o objetivo seja reduzir a margem de erro em lances duvidosos, sempre há quem reme contra a maré.

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Em um levantamento feito pela CBF, dos dirigentes que trabalham nas 20 equipes que disputam a série A atualmente, 2 são contrários a medida. Adson Batista, diretor de futebol do Atlético-GO e Arnaldo Barros, presidente do Sport. Ambos alegam que o uso deste mecanismo também é sujeito de interpretação e não garante uma decisão acertada em lances questionáveis. Também alegam que as partidas perderão o dinamismo, pois começará a se usar este recurso em qualquer ocasião do jogo, sobre pressão de jogadores e técnicos.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

Em parte, eles não estão errados. Levando em conta o comportamento de atletas, em relação aos juízes de futebol, o árbitro de vídeo a princípio, viraria desculpa para uma equipe tirar vantagem no máximo de lances possível. Entretanto, sua ausência proporciona erros crassos de arbitragem, o que na maioria das vezes influencia no placar das partidas. A CBF está promovendo um curso em Águas de Lindoia, no interior paulista, justamente sobre isso. O material já está disponível e poderia ser utilizado inclusive no atual Campeonato Brasileiro. Porém, o presidente Marco Polo Del Nero, decidiu implantá-lo apenas no próximo ano.

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Na Europa, o uso deste equipamento ainda é recente, mas já trouxe resultados positivos. Já foi utilizado em partidas da Copa das Confederações e nos campeonatos alemão e português. Em todos os casos, o uso desta tecnologia reverteu erros que passariam impunes se não fosse utilizado. Talvez, a partida entre Sporting X Estoril seja o melhor exemplo a se dar sobre o caso. Na ocasião, dois gols foram anulados, primeiramente o que seria o terceiro do Sporting e logo após o de empate do Estoril. Ambos os lances foram de impedimento e muito difíceis de serem analisados sem o recurso.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

No Brasil, a experiência já não foi a mesma. Na partida entre Grêmio e Lanús, a primeira válida pela final da Libertadores, o atacante Jael é derrubado na área. Se marcado, o pênalti poderia dar ao tricolor gaúcho a vantagem de 2 a 0 para o jogo da volta. O grande detalhe neste caso é que a falha não parte do aparelho, mas sim de seu operador. No mesmo momento em que o jogador gremista vai ao chão, o árbitro Júlio Bascuñan, coloca o apito a boca e prestes a confirmar a penalidade, ele decide utilizar a ferramenta. Lhe foi passado que a infração não ocorreu, o que caracteriza grave falha de interpretação do lance.

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Entre erros e acertos, de qualquer maneira, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, se diz contrário ao uso desta tecnologia. O dirigente afirma que o uso de árbitro de vídeo tira o “peso dos ombros” de quem está apitando e seria o mesmo que colocar um robô como juiz. Já o presidente da Fifa, Gianni Infantino, é extremamente a favor e cogita utilizá-lo na Copa do Mundo da Rússia. A decisão ainda não foi tomada porque alguns dirigentes são contra a medida, mas espera-se um posicionamento final até março.

Inclusive, já foi criado um manual para seu devido uso. Permite-se recorrer ao árbitro de vídeo nas seguintes situações: confirmação de pênalti e impedimento, gols com possíveis irregularidades e jogadas onde seja necessário advertir algum jogador com cartões amarelo ou vermelho, caso se tenha dúvida de qual atleta cometeu a infração e a gravidade da mesma. A única pessoa que pode utilizar o mecanismo é o árbitro principal. Os auxiliares apenas podem comunicá-lo se houve ou não algum tipo de irregularidade. Os jogadores ou técnicos que pedirem o uso do material estão sujeitos a levarem cartões ou até serem expulsos.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

Independente de estar sujeito a falhas e repito, não em função do aparelho em si mas de quem o opera, esta é uma grande ferramenta que precisa ser utilizada quantos vezes forem necessárias, para que se tenha a mínima margem de erro possível ou que até mesmo ela seja extinta. É a persistência que leva a perfeição. Com isso, espera-se que resultados com placares injustos estejam com os dias contados.

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