Enquanto o time afunda a direção insiste em chover no molhado

Opinião

Antes de iniciar a argumentação acerca dos problemas que rondam o Beira-Rio, proponho aos leitores que tentem esquecer da atual situação do Internacional para fazer uma breve e importante reflexão.

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Imaginem que estivéssemos no início do ano passado, antes da tragédia do rebaixamento, e o time que fosse a campo com a camisa colorada fosse o seguinte: Danilo Fernandes, Cláudio Winck, Cuesta, Danilo Silva, Uendel, Rodrigo Dourado, Edenílson, Felipe Gutierrez, D’Alessandro, Nico López e Pottker, qual seria sua reação quanto a nominata do Internacional?

Ainda em sentido de reflexão, imaginem que alguém viesse do futuro e falasse que o time acima encontraria grandes dificuldades para desempenhar um bom futebol na série B do campeonato brasileiro, veja bem que nem estou me referindo à resultados, apenas à questão do desempenho. Certamente o ser humano que proferisse tal sentença seria taxado de louco.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

O que acontece é que este time atual do Inter possui bons atletas, o suficiente para passear em campo na série B mas mesmo assim encontra sérias dificuldades, que passam por diversos aspectos do jogo, como criação, finalizações, solidez defensiva e incluiria aqui também o fator psicológico.

Estes problemas no futebol colorado são visíveis até para o mais leigo dos torcedores, o problema do Inter não passa pelos atletas, e trazer mais jogadores não vai resolver.

O clima na beira do Guaíba é tenso, é pesado, é triste, é de nervosismo, o técnico ao que parece perdeu o vestiário e novamente está prestes à ser substituído.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

O time não consegue criar jogadas, mesmo possuindo um grande articulador carregando a camisa 10, este mesmo articulador possui três volantes de qualidade, com saída de bola diferenciada jogando atrás dele, e mesmo assim a bola não chega nos atacantes.

Sobre os atacantes, o último artilheiro da séria A do campeonato brasileiro defende o Inter, seu parceiro? Nico López, que serviria para a grande maioria dos times de série A, mesmo assim os gols não saem.

Na defesa, Victor Cuesta, grande zagueiro, com passagens inclusive pela seleção argentina, qual seria então o problema da equipe, seria o goleiro? Nem ouso cogitar esta hipótese, Danilo Fernandes talvez hoje seja o atleta com o maior respaldo da torcida vermelha.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

Até o banco do Internacional conta com nomes de qualidade que poderiam ser úteis na Série A, Eduardo Sasha, vale lembrar, já foi cogitado em mais de uma oportunidade para jogar na Europa.

Então, caro leitor, se o problema não são os atletas, porque a direção insiste em trazer novos reforços? Camilo é bom reforço, Damião é bom reforço, mas de bons reforços o time está cheio. Nico López e Pottker foram bons reforços, assim como Felipe Gutierrez e Edenílson. Victor Cuesta e Uendel seriam bem vindos em quase qualquer time do Brasil. Será que é de mais jogadores que a equipe precisa?

Perdoe-me o torcedor, mas apesar do acréscimo de qualidade, eu desconfio que estes reforços irão resolver o problema colorado, pode ser que amenize, pode ser que iludam, assim como o início do campeonato passado iludiu, mas resolver, não resolveram, porque não é esse o problema.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

O que o time precisa é, em primeiro lugar, por a cabeça no lugar, de todos os problemas este é o mais fácil de ser trabalhado, o lado psicológico da equipe, os atletas precisam de confiança, precisam de calma, parar de cometer erros bobos por nervosismo, o time precisa aprender a lidar com a pressão, que existe, e é gigante, esta questão afeta na organização tática do time.

Com a mentalidade em boas condições, é necessário dar um padrão de jogo à equipe, o que se vê hoje são um combinado de ações desorganizadas e de tentativas desesperadas de jogadas individuais que resultam em erros simples e perda de posse de bola. E para isso precisa-se de um bom técnico, eu sou e sempre serei um defensor da continuidade, mas Guto Ferreira fez o time piorar, e isto é inadmissível.

A direção não pode mais errar, ainda há tempo, e de sobra, para recuperar-se na tabela e, quem sabe, ser campeão da Série B, mas o nome do próximo técnico precisa ser certeiro, pois será o último. E é nisso que a direção precisa focar seus esforços, na escolha minuciosa do novo comandante da casamata, atletas não são necessários, o time é bom, tem qualidade, é preciso apenas alguém que a faça aparecer.

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