O Grenal do século para aliviar os dramas familiares

Futebol e Cultura
Foto: Divulgação

Não faltam relatos sobre o reflexo do futebol no humor dos fãs desse esporte. No Brasil, muitos brasileiros se animam com uma boa fase do seu time do coração. Em época de Copa do Mundo a mídia prioriza notícias relacionadas à seleção por vezes em detrimento a questões políticas e econômicas. Ou seja, o futebol faz parte da nossa memória como nação, além de marcar diferentes períodos da vida de cada torcedor.

Por saber disso, o autor porto-alegrense Michel Laub escolhe a semi-final entre Grêmio e Internacional pelo Campeonato Brasileiro de 1989 como pano de fundo para seu livro O Segundo Tempo (Leia um trecho do livro).

A partir dessa partida marcante, o leitor é apresentado a um garoto de 15 anos que vê sua família se desvencilhar. Quem narra a história é o próprio protagonista, já vinte anos depois. Ele explica então que os resultados da equipe não conseguiam mais afastá-lo dos problemas, porém ainda era uma forma de evitar que Bruno, seu irmão mais novo, presenciasse as discussões entre os pais.

É no futebol que os irmãos se aproximam e o personagem principal passa a cumprir o papel de figura paterna de Bruno. Reproduzem-se assim rituais e alegrias que antes ele dividia com o pai, quando este ainda gostava de futebol.

No momento em que os muitos conflitos fogem do controle do narrador, sua solução é fugir para começar do zero a vida adulto. Mas não sem antes se despedir do irmão naquele memorável domingo de vitória tricolor.

O texto não-linear costura os lances do Gre-Nal do século com as angústias do adolescente e o ponto de vista do adulto em que ele transformou. Nesse aspecto, O Segundo Tempo tem algumas semelhança com o Febre de Bola, livro do britânico Nick Hornby já resenhado aqui no Conexão Grenal.

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